IDÉIA FIXA
Aos sábados, religiosamente, ia ao ateliê do pai. Lembro-me com nitidez do dia em que disse não gostar de uma tela, da boca pra fora. A verdade é que as telas nunca me foram atraentes, eram abstratas, e eu, eu era só um garoto. Mas dizia que achava tudo lindo, Olha essas, olha essa, essa vai fica boa hein, Tá pronta já?, Ah… Isso mudou no dia em que deitei os olhos em sua Geometria Divina. A tela de que ele tinha mais orgulho em trabalhar. A tela que despertou a atenção do Corvo e fez de meu pai um “escolhido”. A tela que ele nunca pôde terminar porque sua mente foi brutalmente sequestrada. A tela que EU terminei por ele, e a fiz enorme e iluminada, na fachada do prédio em que nasceu seu autor. Sim, foi como um sinal. Queria mostrar que estava seguro, ciente de tudo. O médico não só acompanhava tudo como mandou uma menina doce, no dia da gravação, para deixar ali a marca do candelabro. Ele sempre deve dar a última palavra. Veremos até quando.
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- 23/setembro / 3:46 pm
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