MALDIÇÃO D’ABIGAIL

Sempre foi tida como lenda, a história do médico baiano que se julgava amaldiçoado pelo espírito da esposa que ele mesmo enlouquecera e internara no Juqueri. Nos seus últimos dias, vagava como um mendigo pelas imediações de São Paulo. Um dia foi batendo perna pela marginal Pinheiros e acabou em Santana do Parnaíba. Além de uma roupa branca muito suja, o que contam os mais velhos é que ele trazia um saco de estopa com a obra da esposa, matrizes de xilogravura repletas de símbolos e palavras que denunciavam o tratamento do marido. Pelos pastos do vale, Heraldo enterrou cada uma das peças, e então morreu em paz. Décadas depois, ajudei a encontrá-las. Quatro das cinco… Não era lenda, era fato.


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